“A produção do queijo artesanal” foi escrito pela professora e pesquisadora Melaine Roberta Camarotto e lançado em agosto. Obra é resultado de sua pesquisa de Doutorado em Geografia.
O Queijo Colonial no Sudoeste do Paraná alcançou maior visibilidade nacional em 2025, quando conquistou a Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência. Mas sua tradicional presença no estado já vem sendo acompanhada há muitos anos e Melaine Roberta Camarotto é prova disso.
A professora e pesquisadora criou o livro “A produção do queijo artesanal”, que analisa a história da atividade queijeira no Sudoeste do Paraná, a organização dos produtores associados à Associação dos Produtores de Queijo Artesanal do Sudoeste do Paraná (Aprosud) e a relação do Queijo Colonial com a identidade cultural e territorial da região.
A obra é resultado de sua pesquisa de doutorado em Geografia, desenvolvida entre 2021 e 2024 na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Francisco Beltrão. Professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), também em Francisco Beltrão, Melaine esclarece que o trabalho reúne conhecimentos das áreas de administração, desenvolvimento regional e geografia para abordar a cadeia produtiva do leite, os saberes tradicionais e as formas de organização dos produtores.
Um histórico da produção
Segundo a autora, a produção artesanal de queijo começou a se consolidar no Sudoeste durante o processo de colonização, a partir da década de 1930. Migrantes de origem italiana, alemã e polonesa trouxeram hábitos alimentares e técnicas utilizadas nas regiões de onde vieram.
Inicialmente, a fabricação era uma atividade realizada principalmente pelas mulheres para garantir a alimentação das famílias. O excedente passou a ser comercializado entre vizinhos e moradores das comunidades, o que contribuiu para ampliar o consumo e preservar o modo tradicional de produção.
A pesquisa também apresenta as dificuldades enfrentadas pelos pequenos produtores após a regulamentação dos alimentos de origem animal em 1952. As normas exigiam, entre outros procedimentos, a pasteurização do leite e a inspeção federal, condições que não correspondiam à estrutura das pequenas queijarias familiares. Com isso, parte dos produtores deixou de fabricar queijo, enquanto outros permaneceram na informalidade.
Conforme Melaine, entre 1952 e 2017, muitas famílias que mantiveram a atividade operaram à margem do sistema por não conseguirem adaptar suas estruturas às exigências estabelecidas para os grandes laticínios.
A mudança começou a ocorrer em 2017, com a adaptação das regras para a fabricação de queijos artesanais com leite cru. A possibilidade de manter o leite cru ajudou a preservar características relacionadas ao modo de fazer de cada família e ao território onde o queijo é produzido.
“O queijo artesanal tem uma diversidade. Cada produto apresenta uma especificidade, seja pelo saber-fazer do produtor, seja pelas características do território. Mesmo os queijos de uma mesma propriedade podem apresentar diferenças ao longo do ano”, afirma Melaine.
Contribuir com o movimento artesanal
Embora diferentes tipos de queijo sejam produzidos no Sudoeste, o Colonial permanece como o principal produto das queijarias artesanais devido à relação histórica com a formação das comunidades e com os hábitos de consumo da população.
De Francisco Beltrão, Melaine acompanhou o trabalho do pai com famílias produtoras do Sudoeste paranaense na venda de equipamentos agrícolas. Ela se graduou em administração com habilitação em comércio exterior e possui especializações em controladoria e gestão financeira e em gestão de empresas cooperativas. Também é mestre em gestão e desenvolvimento regional e doutora em geografia, na linha de desenvolvimento econômico e dinâmicas territoriais.
A combinação dessas áreas permitiu analisar a produção artesanal sob diferentes perspectivas, como gestão, mercado, organização associativa, sucessão familiar e identidade territorial. “A pesquisa foi uma oportunidade de reunir essas formações e contribuir com o movimento de reconhecimento e valorização da produção artesanal”, resume a autora.
Com informações do Jornal de Beltrão
Foto: Divulgação




