Projeto da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), por meio do Centro de Educação Superior do Oeste, faz registro audiovisual do saber-fazer de famílias queijeiras da região. Material está em produção e deve ser lançado ainda este ano.
O projeto “Maturando lembranças” foi criado pela Udesc Oeste para resgatar e registrar os saberes e a história da colonização do Oeste catarinense a partir da produção de queijos artesanais. A ação reúne pesquisa, extensão universitária e cultura, valorizando o patrimônio cultural ligado à maior bacia leiteira de Santa Catarina.
Coordenado pela professora Elisandra Rigo, do Departamento de Engenharia de Alimentos e Engenharia Química, o projeto está em produção e deve resultar em um documentário, uma exposição itinerante, materiais gráficos e um mapa cultural sobre 10 famílias produtoras de queijo artesanal da região.
Além do registro audiovisual, as histórias estão sendo construídas a partir de entrevistas, fotografias e levantamento de materiais históricos, sempre com a participação e validação das famílias envolvidas. O lançamento está previsto até o final do ano, e a data de estreia do documentário foi anunciada como 12 de agosto.
O público buscado foi de queijarias artesanais do Oeste de Santa Catarina, com foco em famílias produtoras e na agroindústria familiar, como as queijarias Malagutti, Queijos Perosa, Gran Paladare, Sitio Balbinot, Casa Bianchi, entre outras, selecionadas via formulário específico. Algumas estão próximas à Pinhalzinho/SC, onde existe campus da Udesc Oeste, e foram indicadas pela Associação de Queijos Artesanais de Santa Catarina (Artequeijo SC), que apoia o projeto,
Conectando universidade e produtores
Segundo afirmou a coordenadora no site da instituição, a proposta surgiu como uma forma de aproximar a universidade dos produtores artesanais e compreender as histórias presentes em cada produto. “A ideia nasceu para construir conexões entre o Núcleo de Ciência, Tecnologia e Inovação do Leite (NCTI), no campus da Udesc Oeste em Pinhalzinho, e os produtores de queijo artesanal, compreendendo a história que cada queijo carrega”, explica Elisandra.
“Foi um processo de aprendizagem, unindo a técnica acadêmica à cultura queijeira da região. Cada experiência nos tornou mais preparados para fortalecer projetos em andamento e construir novas parcerias com produtores, empresas, associações e instituições”, destacou a professore sobre a produção, que percorreu propriedades produtoras da região.
Preservação de um patrimônio
O Museu Histórico de Pinhalzinho também é parceiro do projeto, e o historiador do local, Bruno Aranha, acredita que ele ajuda a preservar um importante patrimônio cultural imaterial. “Grande parte desses conhecimentos foi transmitida pela oralidade, pelas experiências familiares e pelas práticas comunitárias. Registrar esses saberes é fundamental para que eles não sejam esquecidos e para fortalecer a identidade regional”, afirmou para o site da Udesc.
O historiador ainda destaca que o reconhecimento da tradição queijeira também contribui para o fortalecimento da agricultura familiar, do turismo cultural e gastronômico e da geração de renda para as comunidades produtoras. “A preservação do patrimônio cultural exige a atuação conjunta da sociedade, das instituições de ensino, dos pesquisadores, dos produtores e do poder público”, diz Br4uno. “Ao aproximar universidade e comunidade, o projeto registra uma prática cultural e contribui para fortalecer a identidade regional e assegurar a continuidade dessa tradição.”
O “Maturando lembranças” é desenvolvido pela Udesc Oeste, com equipe da Indústria de Lácteos em Escala Piloto (ILEP) do NCTI. Conta com a parceria da Artequeijo SC, da Prefeitura Municipal de Pinhalzinho, por meio de seu Museu Histórico, do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) — Campus São Miguel do Oeste, da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).
Com informações da Udesc.
Foto: Divulgação




