Documento apresentado durante visita do governador à região destaca que o produtor “carrega praticamente sozinho o peso de ser Patrimônio da Humanidade” e propõe programa de estado para o setor.
No dia 16 de abril, na cidade do Serro/MG, a Associação dos Produtores Artesanais de Queijo do Serro (Apaqs) entregou ao atual governador do estado de Minas Gerais, Mateus Simões, uma carta-manifesto. Nela, a entidade agradece o apoio institucional recebido ao longo dos anos e apresenta um conjunto de demandas consideradas urgentes para a preservação do modo de fazer do Queijo Minas Artesanal — reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em dezembro de 2024.
O documento, assinado pelo presidente da Apaqs, José Ricardo Ozolio, reconhece o papel de órgãos como a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas alerta que os produtores ainda enfrentam carências graves no dia a dia.
Entre os principais pontos da carta, destacam-se:
- Programa de Estado com convênio direto — A Apaqs propõe a criação de um programa específico para o queijo artesanal, com repasse de recursos diretamente às associações de produtores, garantindo assistência técnica, veterinária e de infraestrutura na ponta da cadeia produtiva.
- Laboratórios acessíveis e eliminação de taxas — O documento pede o restabelecimento de laboratórios para exames do rebanho a preço de custo e análises de queijo e água com valores subsidiados pelo Estado, além da eliminação de taxas que oneram o pequeno produtor.
- Erradicação da brucelose e tuberculose — A carta solicita uma política de Estado para a erradicação dessas doenças, fundamentais para a sanidade do rebanho e a segurança do produto que hoje tem reconhecimento mundial.
- Educação patrimonial e sucessão no campo — A Apaqs pede investimento em capacitação, profissionalização e programas de educação patrimonial nas escolas públicas, para que as novas gerações conheçam e se orgulhem da tradição, garantindo a continuidade de um saber centenário.
“Não pedimos privilégios. Pedimos condições para que o produtor possa exercer, com dignidade e conformidade, o ofício que fez do Queijo Minas Artesanal da Microrregião do Serro um orgulho de Minas Gerais e do Brasil perante o mundo”, conclui Ozolio na carta.
Na foto, o presidente da Apaqs, José Ricardo Ozolio, e o governador de Minas Gerais, Mateus Simões.
Foto queijo: Nonato Santa Rita
Foto evento: Fernanda S. Costa/Apaqs




