O presidente da Rogue Creamery revisita sua trajetória e compartilha suas avaliações sobre o queijo artesanal americano.
A queijaria Rogue Creamery existe no Oregon, Estados Unidos, desde 1933, mas foi em 2002 que sua história se entrelaçou com a de David Gremmels. Com uma longa trajetória no mundo corporativo, David planejava abrir um bar de queijos e vinhos e queria incluir os queijos da então Rogue River Valley Creamery em seu catálogo. Em uma visita à queijaria, descobriu que a empresa estava prestes a fechar. O proprietário, Ignazio Vella, que se tornaria um verdadeiro mentor para David, o convidou a fazer uma oferta pela queijaria. No mesmo ano, David e o sócio Cary Bryant compraram a Rogue.
A queijaria ganhou projeção mundial em 2003, quando seu Rogue River Blue se tornou o primeiro queijo não europeu a receber o título de melhor queijo azul do mundo no World Cheese Awards. Depois disso, a Rogue Creamery se tornou a primeira queijaria de leite cru a ganhar o certificado sanitário para exportação, abrindo caminho para os demais produtores americanos. O Rogue River Blue seguiu conquistando prêmios, como o World Champion do World Cheese Awards 2019, novamente o primeiro queijo americano elevado a este reconhecimento internacional.
David Gremmels é multipremiado: ganhou os prêmios United Way of Jackson County’s Community Spirit Award em 2006, Excellence in Marketing do Oregon Department of Agriculture em 2010, Hall of Fame Award da Oregon State University’s College of Agriculture, Food Science and Technology Department em 2022 e, no mesmo ano, o Lifetime Achievement Award da American Cheese Society. Atualmente, David é embaixador da Guilde Internationale des Fromagers e segue liderando a Rogue Creamery e suas receitas.
Para além dos premiados queijos azuis, a Rogue estabelece um legado também na área ambiental: é uma queijaria orgânica e tornou-se a primeira Empresa B do Oregon em 2013. Em 2016, alcançou a certificação USDA Certified Organic pelo Oregon Tilth. David também é membro do conselho de sustentabilidade do Estado do Oregon desde 2012, o que está alinhado aos objetivos sustentáveis da queijaria.
Gostaria de começar sabendo um pouco mais sobre você. De onde você é e onde vive hoje?
Cresci no Noroeste do Pacífico, no estado de Washington, numa pequena cidade chamada Olympia, numa família agrícola e comercial. Meu pai era um artesão e um fazendeiro e meu avô, pai do meu pai, era leiteiro, então estou muito familiarizado com a agricultura. Também cresci participando do 4H, uma organização que faz parte das universidades públicas agrícolas (land-grant university) nos EUA e tem escritórios de extensão com o Estado. O propósito desses escritórios é proporcionar apoio educacional relacionado à agricultura ou à produção. Isso me deixou fascinado por agricultura, por grandes animais, rebanhos, cavalos e por jardinagem orgânica. Então minhas raízes vêm do 4H e certamente de uma família que era baseada na agricultura e tinha tradição em laticínios.
Você é formado em Administração de Empresas, como chegou ao queijo?
Me graduei em Administração de Empresas com foco em marketing e japonês. Tentei me distanciar o máximo possível da agricultura e da vida rural e fiz isso por um certo tempo. Mas foi realmente o queijo que cativou meus interesses. Isso foi nos anos 1980, quando um amigo que tinha uma cafeteria local me apresentou três queijos: um queijo feito por Sally Jackson, um queijo feito na Espanha chamado Cabrales e um Roquefort feito na França. Fiquei muito fascinado por esses queijos e querendo saber mais. Existe uma maravilhosa loja de queijos no Pike Place Market, em Seattle, chamada DeLaurenti, que tem um incrível serviço de queijo. Eu provei tudo no período de alguns anos, entendendo as diferenças, os tipos de leite e de queijo e aprendi muito com os cheesemongers — acho que não agradecemos o suficiente aos nossos cheesemongers por nos contarem as histórias por trás dos queijos.
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“Nós nos unimos pelo queijo e isso cria não apenas uma jornada sensorial e de experiência, mas também uma oportunidade de aprendizado, que é sempre muito enriquecedora.”
Foto de destaque: H. Sterling Cross




