A 33ª edição do World Cheese Awards, que pode ser considerada como um “Oscar do Queijo”, aconteceu no início deste mês em Oviedo, na Espanha. Apesar de enfrentar problemas alfandegários e atrasar a chegada dos queijos, o Brasil conseguiu conquistar 14 medalhas na competição.
O World Cheese Awards trata-se de uma competição anual promovida pelo Festival Internacional do Queijo, que, este ano, aconteceu no dia 3 de novembro. Ao todo, foram avaliados 4 mil queijos por 250 jurados internacionais, mas, por pouco, os queijos brasileiros não participaram da disputa devido a problemas burocráticos na alfândega.
Os queijos que passaram pela aduana chegaram ao concurso depois do dia da avaliação, mas, após acordo com a organização do evento, foram avaliados pelos mesmos critérios do concurso, assim como os demais. Falco Bonfadini, jurado supremo e responsável pelo Ponto de Consolidação do WCA no Brasil, conta que, em 2019, quando aceitou o desafio de ser o ponto de consolidação, foi decidido que as inscrições e o transporte seriam realizados buscando orientações das autoridades brasileiras, mas que o problema foi a não existência de um acordo entre a União Europeia e o Brasil para a exportação de produtos lácteos, nem mesmo para o envio de amostras para concursos.
“Durante o primeiro ‘teste’, em 2019, mesmo depois de diversas consultas Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, as divergências de informações fizeram com que 14 das 21 amostras nem mesmo conseguissem deixar o país. Apenas sete participaram do Concurso. Para o World Cheese Awards este ano, em Oviedo, seguimos o mesmo traçado: buscamos o Ministério de Agricultura. Desta vez, conseguimos uma comunicação muito mais direta e avançamos muito na criação de um caminho, que esperamos se torne um marco regulatório para o futuro”, diz.
No entanto, mesmo dispostos a cumprir todos os acordos firmados, os queijos brasileiros, sobretudo os de leite cru, foram impedidos de entrar na Espanha e não puderam participar do WCA 2021. “Não foi algo que ocorreu somente com queijos brasileiros. Ainda não posso precisar exatamente onde foi a falha de comunicação ou procedimento e já solicitamos explicações. Lamento sinceramente e garanto que não faltou força e coração para tentar solucionar o problema.”
No dia 8 de novembro, o site do WCA divulgou a lista completa de queijos premiados na competição. O Brasil voltou para casa com duas medalhas de ouro, duas pratas e 10 bronzes. Entre as queijarias premiadas estão a Pomerode Alimentos, Fazenda Atalaia, Capril do Bosque, Serra das Antas e Laticínios São João.
Falco explica como funciona a avaliação dos queijos: “Eles são distribuídos em mesas com quarenta ou cinquenta queijos. Cada mesa tem dois ou três jurados que avaliam os queijos de acordo com aroma, aparência da casca, da massa e, principalmente, sabor. Cada aspecto recebe uma nota definida conjuntamente pelos jurados e, ao finalizar a soma, o capitão de cada equipe etiqueta o queijo com bronze, prata ou ouro, de acordo com seu desempenho.”
Falco também explica que, nessa fase, não há limites para cada medalha, portanto, o número depende exclusivamente da avaliação de cada queijo, pois eles não competem entre si. “A equipe, então, precisa definir o Super-Ouro da mesa. É importante ressaltar que esse título não se perde, ou seja, com 88 mesas, tivemos 88 Super-Ouros. Todos esses queijos vão para uma outra sala e os 16 Super Jurados, ou Jurados Supremos, escolherão cada um o queijo que acha que deve ser o ‘melhor do concurso’. Em um evento no auditório, cada jurado ‘defende’ seu queijo, explicando porque deve ser escolhido e todos votam atribuindo notas de 1 a 7. No final, o queijo com maior pontuação passa a ser conhecido como o melhor do show”, finaliza.
Confira abaixo a lista de premiação:
Ouro
Vale do Testo Vermont 6 Meses – Pomerode Alimentos
Queijo tipo Reblochon – Serra das Antas
Prata
Lua Cheia – Serra das Antas
Bueno – Tipo Comté – Serra das Antas
Bronze
Tulha – Fazenda Atalaia
Serra do Lopo – Capril do Bosque
Vô Bastião – Serra das Antas
Parmesão – Serra das Antas
Queijo Tipo Raclette – Serra das Antas
Requeijão cremoso – Laticínios São João
Queijo tipo Quark – Laticínios São João
Manto da Serra – Laticínios São João
Dolce Bosco – Capril do Bosque
Caprinus – Fazenda Atalaia
O título de Melhor Queijo do Mundo em 2021 foi o queijo de cabra Olavidia, da marca espanhola Quesos y Besos, que desbancou o concorrente francês estilo Cottage, da Fromagerie Berthaut. Durante a transmissão do evento, o jurado britânico Jason Hinds o descreveu aos colegas como um queijo de cabra com uma “textura rica, sedutora e cremosa”.





